quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 | By: Mari

Ciao, Toscana!

Confesso que já estava apaixonada por Florença mesmo antes de chegar lá. Todo mundo com quem eu conversava dizia que era um lugar maravilhoso, diferente de tudo, que tinha grandes obras de arte, enfim. Toda a expectativa me deixou ansiosa pelo que encontraria. Mais 12 horas em outro tremhotel (dessa vez sem maiores emoções) e estávamos na Toscana! \o/

Chegamos muito cedo e não pudemos fazer o check-in. Deixamos as malas e fomos conhecer a tão esperada cidade. O frio misturado com o cansaço depois das horas no trem não ajudou muito, mas o charme de Florença era suficiente pra manter a empolgação do primeiro encontro.

Aos poucos, a caminhada foi me revelando as maravilhas da cidade mais encantadora que já vi! Sabe aquelas cenas que a gente vê nos filmes ou assistia em alguns capítulos de Passione? É exatamente daquele jeito. Mas ao vivo e a cores! Aquelas ruas de paralelepípedo apertadinhas, as casas bem antigas e coloridas, muitas praças e todo o charme dos italianos passando de um lado pro outros nas ruas geladas.
Pra começar, fomos conhecer a catedral (que eles chamam de Duomo). Enorme, imponente e... colorida! Sério! Fiquei super apaixonada pq ainda não tinha visto uma igreja colorida! Todas que conhecemos eram marrom, cinza, branca. Essa não. Era feliz, alegre! E contrastava com o cinza do céu! A catedral é imensa e por mais que eu tentasse outros ângulos, não conseguia tirar uma foto que representasse toda a sua beleza, mostrando seus detalhes delicados e perfeitos. Aquele monumento é inexplicável! Sei que digo isso de todos, mas essa construção não me deixava parar de sorrir um só momento. Tinha certeza que estava diante de uma das coisas mais grandiosas e impressionantes que meus olhos já tinham visto. Pra cada lado que eu olhava, tinha uma surpresa mais linda que a outra e tudo que fazia era me admirar, sorrir e dizer que era lindo, muito, muito, muito, muito lindo! A gente se sente tão pequenininho, mas ao mesmo tempo tão privilegiado!



Admirei aquela perfeição toda tanto quanto pude até que decidíssemos entrar. Do lado de dentro, parecia que estávamos em outro lugar. Eu esperava algo tão marcante quanto o que tinha visto lá fora. Mas não. Não tinha bancos, não tinha ouro, não tinha vitrais. Não tanto quanto eu esperava, pelo menos. Era um grande vazio. Os pilares, o teto, as janelas, claro, também tinham sua beleza e despertavam a nossa atenção. Mas a minha vontade era sair logo dali, ir pra fora, sentar ali na frente e olhar. Só isso. Olhar. E foi isso que nós fizemos por mais algum tempo. Depois saímos, sem saber bem pra onde íamos até esbarrar numa feira, onde nos encontramos.
Que feira mais fofa, colorida, barata! Lá, eles vendem todo tipo de souvenir, mas também casacos, lenços e principalmente artigos em couro. Enquanto comprava um sobretudo, Tatynha fez amizade com um vendedor apaixonado pelo Brasil. Quando descobriu que éramos brasileiras começou a contar das férias que passou por aqui em 2004.

Vendedor apaixonado: Ah, foram as melhores férias da minha vida, as melhores! Segunda-feira: caranguejo na praia. Terça: caipirinha no bar. Quarta: futebol com os amigos. Muito bom!

Nooossa!Eu ali curtindo o clima da Toscana e ele morrendo de saudades do caranguejo caipirinha e futebol... é, ne? Pelo menos fizemos a alegria do apaixonado, que não parava de rir lembrando do Brasil. Deve ter aprontado todas por aqui...



Passamos várias horas por ali, e depois fomos almoçar num restaurante bem aconchegante, daqueles que vc não dá nada quando olha do lado de fora, mas dentro tem uma decoração bem charmosa, sabe? Pedi fettuccine com alguma coisa que estava bem gostosa e Tatynha pediu um risoto sem gosto. Tomamos um vinho só pra fazer a graça, mas a verdade mesmo é que aquilo tava muito ruim. Tanto que pedi uma coca, pra acabar com minha falsa classe. Depois do almoço, fomos a sobremesa. E que sobremesa! A gente nem sabia do que se tratava quando escolheu,mas como era típico e diferente fomos nesse mesmo. É um tal de tiramissu, um doce feito com café, chocolate, biscoito e um creme diferente. É sen-sa-cio-nal! Muuuuito bom! Ai, posso nem pensar! Caminhamos mais um pouco pela cidade, aproveitando tudo.




Exaustas, voltamos para o hotel, fizemos nosso check-in e, na companhia da recepcionista, fomos até o nosso quarto. O prédio tinha cinco andares, mas o elevador só ia até o quarto. Então, dá pra vcs adivinharem em que andar ficava o nosso apt? No quinto, claaaaro! Paramos no quarto e a recepcionista: “Agora vamos subir essas escadas pq o de vcs é o quinto e o elevador não vai até lá”. Eu devo ter feito uma cara de desespero+espanto+resvolta pq ela já foi logo acrescentando: “Mas a vista é muito bonita, vcs vão ver”. Aham. Tem que ser maravilhosa, por favor.

Nos minutos que se seguiram, mais uma cena ridícula protagonizada por Talyta e Mariana. A gente não agüentava mais carregar mala. Tava tudo muuuuuito pesado. As bolsas não ficavam nem em pé no chão. A gente levantava uma, ajeitava e quando ia levantar a outra, a anterior caia e fazia aquela barulho horrível. Enquanto isso, a senhora tava na escada chamando a gente com a chave na mão e carregando uma das bolsas ( a mais leve, claro):” Vem, eu ajudo vcs”. La embaixo, eu e Tatynha largamos as malas caídas no chão, paramos e começamos a rir. Descontroladamente. A mulher lá em cima chamando e a gente não conseguia parar pra levar as malas. Só riamos e deixávamos as malas caírem. Só. Depois de muita concentração e esforço chegamos em nosso aposento, que tinha, realmente, uma vista incrível! Nos acomodamos e descansamos um pouco. A noite, decidimos sair pra jantar. Só que na Europa tudo fecha cedo. É totalmente inacreditável! 20h já não tinha ninguém na rua, tudo fechado... isso pq estávamos no centro! Andamos pra caramba naquelas ruas escuras e achamos uma cantina, bem pequenininha, vazia, mas que servia pizzas. O simpático senhor que nos atendeu disse que tinham dois sabores que ele tentou explicar com toda a paciência e nós tentamos entender tbm com toda a paciência mas, claro, não conseguimos! :P

Então tá, eu pedi um sabor e Tatynha outro. Esperamos nosso pedidos chegarem e em poucos minutos tivemos a grande surpresa: eu pedi pizza de salsicha e Tatynha de peixe!! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Eu não acreditei! Nosso primeiro dia na Itália e nós pedimos pizza de salsicha e peixe? Nãaaaaao! Comemos o máximo que agüentamos (as pizzas são enooormes) pra não decepcionar o velhinho pq tbm gostamos dele =) Mesmo assim, não foi muita coisa. Constrangidas, pagamos e voltamos pro nosso quarto, onde demos mais umas boas gargalhadas da situação antes de irmos dormir. Estávamos cansadas e felizes (como na maior parte do tempo) e ansiosas para o dia seguinte que, se fosse como aquele seria delicioso... quer dizer, muito legal!

beijo!

mari.augusto

Paris como sempre, Paris como nunca (III)

Como lembrança do nosso último dia na capital francesa, Paris nos presenteou com um céu cinzento e uma chuva inconveniente. Mesmo assim, Tatynha e eu lutamos bravamente contra o sono, nos empacotamos como de costume e fomos em direção aos últimos dois pontos que precisávamos visitar: Sacre Coeur e Notre Dame. Depois de nos desvencilharmos dos ambulantes que quase nos agarraram tentando colocar aquelas pulseirinhas nos nossos braços, subimos a escadaria em direção a igreja ao som de uma música instrumental linda que estava sendo tocada em uma harpa, o que teria feito minha mãe babar se tivesse visto. A igreja vista do lado de fora, com suas delicadas cúpulas e gárgulas já é, por si só, um grande espetáculo. Lá de cima, vi Paris do alto pela segunda vez. Incrível! No verão, deve ser uma delícia ficar horas naquelas escadas admirando a paisagem bem mais colorida da estação. Quando entramos no templo, acho que fiz mais uma vez a cara que estive fazendo toda a vez que me deparava com a arquitetura imponente e grandiosa que enche Paris de charme e poder. Ao entrarmos, tudo que fizemos foi sentar naqueles bancos lá de trás e admirar o que estava diante de nós. As pinturas, as esculturas, as colunas... aquela beleza toda parecia aumentar ainda mais o encantamento e a fé das pessoas presentes ali. Enquanto os turistas iam e vinham, nós continuávamos ali, impressionadas, vidradas, agradecidas.




Depois de uns minutos, estávamos, mais uma vez, diante do nosso problema de sempre: se levantar e sair. Com alguns protestos, deixamos a Sacre Coeur para um lugar, digamos, não tão santo assim. Tinhamos que ver o Moulin Rouge! Caminhamos uns minutinhos, paramos naquelas sempre tentadoras lojas de souvenir e logo chegamos na tal rua, que não tem nada a não ser Sex Shop. Mas são muuuuuitos. Um do lado do outro, com os mais variados nomes, tamanhos, enfim. Demos umas risadas com o naipe da avenida, fotografamos a fachada com o tal moinho vermelho em cima, fizemos um lanchinho no Mc pra não perder o costume e seguimos pra Notre Dame. Paramos na estação indicada, de onde conseguíamos ver a torre da igreja. Começamos a andar até lá, mas não conseguíamos chegar de jeito nenhum! Sei lá o que aconteceu. Só sei que a gente perdeu totalmente a direção, ficou meio que andando em círculos e nunca que chegava. Pra melhorar, a chuva apertou e encharcou meu já desgastado AllStar. Não conseguia mais sentir meus dedos naquela água congelada e aí decidimos entrar em uma das muitas lojas com a placa de Soldes pra comprar uma bota ou qualquer coisa do tipo. Experimentei tudo e descobri que calço 40 na Europa! Terrível, né? Mas o pior era que nenhuma das botas cano alto que eu pegava cabiam na minha perna gorda. Arrgh! Eu querendo ser charmosa em Paris com aquelas botas super finas e nenhuma fechava nas minhas batatas gigantes... tudo bem. As européias que tem pernas finas msm ^^ Com a minha frustração com as botas, o jeito foi dar uma olhadinha nos tênis. Acabei achando um da Nike preto e rosa bem fofinho, com o preço melhor que a aparência! Com 30 euros, estava com os pés aquecidos novamente (mais ou menos, pq tive que ficar sem as meias, que estavam bem molhadas).

Cansadas de procurar a igreja que só tinha as torres, decidimos ir embora pro hotel e fazer as malas pra viagem que faríamos em algumas horas. Saímos da loja e dei uma olhada pra trás bem despretensiosa. Não acreditei quando vi que a Notre Dame estava bem trás da gente! Entre risos e indignação com nossa própria incompetência, fomos até lá. Poderia escrever aqui com detalhes todas as sensações que estar ali dentro causou em mim, mas posso resumir dizendo que, assim como a Sacre Coeur e a Sagrada Família, Notre Dame é o tipo de construção que tira seu fôlego e faz os olhos brilhares. Fora disso, o que quero acrescentar é que lá descobri uma nova paixão: vitrais! Já tinha ficada apaixonada com os de Barcelona, mas os da Notre Dame são ainda mais estonteantes. A luz do lado de fora bate no vidro e enche a catedral com aquelas cores vivas e brilhantes dos vitrais, o que me fazia ficar admirando aquilo, como se fosse a mais incrível beleza do lugar. E era.

Mais uma vez, deixamos todo aquele encanto para os turistas mais sortudos, que tinham um pouco mais de tempo que a gente pra apreciar aquilo tudo. No caminho, paramos na Haagen-Dazs pra comer um doce. Enquanto namorava os quitutes decidindo o que ia comer e conversava alguma amenidade com Tatynha, o atendente com o cavanhaque mais estiloso que eu já vi perguntou o que a gente ia querer num português horrível, mas compreensível. Disse que queria um brownie e perguntei se era brasileiro ( Não parecia, mas sei la, né?)

O dono do cavanhaque: Não.
Mariana: E como vc aprendeu português?
O dono do cavanhaque: Turismo. Esse é muito bom (Se referindo ao brownie).
Mariana: Você precisa ir ao Brasil, vc vai gostar. Quanto é?
O dono do cavanhaque: 3, 50.

Até que pra quem nunca tinha estudado a língua, ele desenrolava bem. Sentamos, eu me deliciei com o brownie mais gostoso do universo e Tatynha se lamentou com a torta de nozes com caramelo que tinha pedido (ela detesta caramelo).

O dono do cavanhaque: Está gostoso?
Mariana: Tá uma delícia!

Ele ainda passou outras vezes na nossa mesa, cheio de simpatia. No caixa, eu vi uma japinha conversando com ele e morrendo de rir enquanto pedia alguma das delícias da loja. No fim da conversa ele soltou um Arigatô, e a garota parece ter adorado ouvir uma palavra familiar, assim como eu tbm adorei suas tentativas de falar português. Adorei! Atendimento perfeito, brownie tbm. Nunca me senti tão longe de Natal. Pq nunca, em nenhum estabelecimento dessa cidade, eu presenciei um atendimento como aquele. Gostamos tanto do carinha que na hora de ir embora Tatynha ainda estava com a torta inteira no prato e decidiu levar pra jogar em algum lixo longe dali só pra ele não ver que ela não tinha gostado. Kkkkkkkkkkkkkkkk Morri de rir!



Voltamos pro hotel, chamamos um taxi e, enquanto esperávamos, papeamos com o carinha da recepção que, fumando, falou de Ronaldinho Gaúcho, lamentou o fato de eu ser botafoguense e disse que era um desperdício o craque ter trocado o Grêmio pelo Flamengo. O taxi chegou e, antes de entrarmos, ele disse que eu era muito sortuda de estar visitando Paris pela segunda vez. Não que não soubesse, mas aquela lembrança me fez valorizar um pouquinho mais o presente maravilhoso de Deus pra mim. No caminho até a estação, abri bem os olhos tentando guardar tudo o que podia daquela cidade tão encantadora quanto surpreendente.

Beijo!

mari.augusto